Três anos se passaram desde o assassinato de Mãe Bernadete, liderança do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, Bahia. A ativista foi morta com vinte e cinco tiros. Familiares e defensores de direitos humanos promovem atos para manter sua memória e cobrar justiça.
O neto de Bernadete, Wellington Pacífico, disse que a comunidade ainda lida com a dor da perda e com a impunidade. Ele mencionou que a avó buscava justiça pelo pai, que também foi assassinado em 2017. Wellington, que estuda direito, afirmou que as vivências o fizeram ter um olhar voltado à luta por direitos das comunidades quilombolas.
Sobre o caso, Wellington informou que dois acusados foram condenados: um executor a mais de quarenta anos de prisão e outro envolvido no planejamento a vinte e nove anos e nove meses. Outros três acusados aguardam julgamento, previsto para outubro, embora o processo tramite em segredo judicial.
A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) exigiu responsabilização dos acusados e maior proteção ao Estado brasileiro. A entidade relatou que o assassinato de Bernadete não é isolado, citando que pelo menos vinte e dois mulheres foram mortas entre dois mil dezesseis e dois mil vinte e quatro.
Além da cobrança judicial, a família planeja um novo festival de cultura e arte quilombola, iniciativa liderada pelo filho dela, Jurandir Pacífico. A ativista Selma Dealdina, da Conaq, reforçou a necessidade de mais apoio estatal para a segurança das lideranças quilombolas no território.


