Um tribunal criminal em Damasco condenou à morte o ex-ditador sírio e seu irmão por crimes contra a humanidade, homicídio e tortura. A sentença encerra a primeira etapa de responsabilização pela guerra civil, que deixou cerca de 500 mil mortos no país.
A condenação, proferida nesta terça-feira (11), ocorreu à revelia dos ex-líderes, que residem em Moscou. O julgamento abrange crimes como homicídio premeditado, tortura e prisões arbitrárias. O processo faz parte da transição política iniciada em dezembro de 2024, após uma ofensiva insurgente liderada pelo grupo Hayat Tahrir al-Sham (HTS) derrubar a dinastia Assad, no poder desde 1970.
O único réu presente na sessão foi o ex-general Atef Najib, primo materno do ex-ditador. Najib foi apontado como articulador da repressão violenta aos protestos pró-democracia de 2011. Ele acompanhou a leitura do veredito sob forte esquema de segurança, preso em cela de metal.
A execução das penas depende de articulação internacional. O novo presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, solicitou a extradição ao presidente russo, Vladimir Putin, em outubro de 2025. Contudo, o Kremlin sinalizou manter o asilo político concedido ao aliado histórico, e nem as autoridades russas nem o governo transicional emitiram declarações oficiais sobre o resultado.


