O governo Donald Trump condiciona a devolução de uma cota de exportação de açúcar de quase 60 mil toneladas ao Brasil à apresentação de propostas comerciais satisfatórias. Caso o acordo não ocorra, os Estados Unidos ameaçam redistribuir o volume para outros países, segundo o subsecretário de Agricultura americano, Stephen Vaden.
A declaração foi feita por Vaden durante um simpósio da American Sugar Alliance, na segunda-feira (3). Os Estados Unidos abrem anualmente uma cota de 1,1 milhão de toneladas de açúcar bruto de cana, baseada em compromissos com a Organização Mundial do Comércio (OMC). O produto dentro desse limite paga tarifa reduzida, mas o que ultrapassa a cota enfrenta uma barreira de cerca de US$ 340 por tonelada, o que impacta a competitividade do setor.
Na gestão Trump, a cota brasileira foi reduzida de 155,9 mil toneladas para 100 mil toneladas, representando uma queda de 35,9%. Vaden afirmou que o volume retirado poderá ser transferido a outros exportadores se o Brasil não apresentar propostas consideradas satisfatórias. A coincidência entre o volume reduzido e o não alocado reforça a percepção de que a medida serve como instrumento de negociação comercial.
A funcionária do Ministério da Agricultura procurou o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) para verificar a possibilidade de recomposição da cota, argumentando que o Brasil preencheu integralmente a cota atual, demonstrando capacidade de fornecimento. Washington pressiona o Brasil há anos para reduzir a tarifa de 18% cobrada sobre a compra de etanol americano, mas nunca houve acordo sobre abertura comercial para o açúcar.


