A União Europeu de Federações de Futebol (Uefa) analisa a abertura de um processo criminal contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino. A medida ocorre devido ao projeto, já descartado, de criar a Fifa Forward Enterprises (FFE) para administrar competições, incluindo a Copa do Mundo, com a venda de participações a investidores.
A entidade europeia argumenta que as ações de Infantino configuram má gestão criminosa, com base no Artigo 158 do Código Penal Suíço. Segundo documentos judiciais obtidos pela imprensa internacional, a Uefa afirma que tais crimes podem resultar em penas de até três anos de prisão.
A denúncia de 56 páginas solicita que Joshua Kushner, proprietário do fundo Thrive Capital e indicado como principal investidor da FFE, entregue documentos sobre o plano e preste depoimento. O fundo é ligado a Donald Trump.
O texto questiona a promessa de US$ 40 milhões feita por Infantino a associações-membros da Fifa para obter apoio ao projeto. A Uefa afirma que o prazo de resposta, fixado para 19 de setembro de 2026, era insuficiente para analisar a reorganização de ativos comerciais arquitetada em segredo por mais de um ano.
A Uefa classificou como absurdamente baixo o valor de US$ 4,2 bilhões estipulado para a venda de 20% das ações da futura companhia. A entidade alega que a concepção da FFE não passou por leilão competitivo nem por avaliação de consultores independentes.
O plano foi anunciado no fim de julho de 2026 e sofreu resistência de federações que alegaram que o futebol não está à venda. Na ocasião, a Uefa ameaçou boicotar torneios organizados pela Fifa.
A entidade europeia agora se alia à Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e à Confederação Asiática de Futebol (AFC) para apoiar um candidato contra a reeleição de Infantino em 27 de março de 2027. O presidente da Concacaf, Victor Montagliani, é uma das opções. Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, descartou a candidatura.

