Os recentes pedidos de recuperação judicial da Casas Bahia, com dívidas de R$ 17,3 bilhões, e da Marabraz, com passivo de R$ 140 milhões, acenderam alerta no mercado. Especialistas indicam que não há colapso generalizado, mas sim uma crise seletiva no varejo, causada por juros altos e restrição de crédito.
Dados do IBGE mostram crescimento de 2,9% no volume de vendas do comércio varejista em junho de 2026, comparado ao ano anterior, com receita nominal avançando 7%. Essa resiliência se deve à divisão do setor em segmentos. O varejo de giro rápido, como supermercados e farmácias, permanece forte, enquanto o varejo digital cresce sem o peso de imóveis. O problema concentra-se nos bens duráveis, que dependem de vendas parceladas e lojas físicas, segundo Jéssica Costa, sócia da Agr Consultores.
Jorge Ferreira dos Santos Filho, professor da ESPM, explica que a crise das recuperações judiciais está ligada à necessidade de capital de giro. Em períodos de crédito caro, o consumo se altera: famílias mantêm a compra de itens básicos, mas adiam a aquisição de eletrodomésticos. A alta taxa Selic, que chegou a 15% em junho de 2025 e oscilou para 14% atualmente, pressiona o setor de duráveis.
O cenário de estresse também afeta o consumidor final. Ele passa a enfrentar critérios de crédito mais rígidos e encurtamento de prazos de parcelamento. Costa afirma que o prazo de “24 vezes sem juros” é um produto financeiro, e varejistas em dificuldades tendem a suspender ou reduzir o crediário próprio. Além disso, cortes de custos internos atingem serviços como entregas e assistência técnica.


