O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) divulgou o relatório “Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil 2025” nesta quinta-feira. O documento aponta que o país registrou 258 assassinatos de indígenas em 2025, um aumento em relação aos 211 mortes violentas de 2024. O relatório também contabiliza 1.024 óbitos de crianças de zero a quatro anos.
O Cimi atribui o recrudescimento das violações à aprovação da Lei do Marco Temporal, à estagnação de processos demarcatórios e à atuação de setores do agronegócio e da mineração ilegal. Segundo o relatório, o ambiente de insegurança jurídica levou ao aumento de invasões e omissões estatais.
Dos 1.443 territórios mapeados, 897, ou 62%, possuem pendências administrativas que o Poder Executivo não resolveu. Essa morosidade gerou 169 conflitos diretos sobre direitos territoriais e 210 episódios de invasões em 151 terras indígenas localizadas em vinte estados.
Em relação às vítimas, Roraima liderou o ranking nacional de homicídios com 82 vítimas. Além disso, o documento detalha que 57% dos 1.024 óbitos infantis foram causados por enfermidades evitáveis, como gripe e pneumonia.
Para os povos isolados, o cenário é crítico: das 119 referências catalogadas, apenas 28 são reconhecidas pela Funai, deixando 91 grupos sem proteção jurídica diante do avanço da grilagem na Amazônia.


