Eleitores da Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha, votam neste domingo (6) para escolher o Parlamento regional e o novo governador. Pesquisas de intenção de voto colocam o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) na liderança, com entre 40% e 43% da preferência, podendo conquistar o primeiro governo estadual da sigla no país.
O candidato da AfD ao governo é o deputado estadual Ulrich Siegmund, de 35 anos. O parlamentar ganhou visibilidade nas redes sociais durante a pandemia de covid e participou de reuniões com pautas anti-imigração. O programa da legenda propõe a criação de patrulhas cidadãs e alterações no currículo escolar.
Desde 2023, o Departamento de Proteção da Constituição local classifica o diretório da AfD na Saxônia-Anhalt como uma organização extremista de direita confirmada. O Estado é governado desde 2002 pela União Democrata-Cristã (CDU), sob a gestão de Sven Schulze, que tenta a reeleição, mas aparece nas pesquisas cerca de 20 pontos percentuais atrás da AfD.
A região possui cerca de 2,1 milhões de habitantes e apresenta a menor renda per capita da Alemanha, com desemprego acima da média nacional. Desde a reunificação em 1990, a localidade perdeu população devido ao êxodo de jovens e à queda de postos na indústria e mineração. O percentual de estrangeiros é de 7,9%, contra 17% na média do país.
O cenário amplia a pressão sobre o chanceler federal Friedrich Merz, da CDU, cujo governo enfrenta baixa aprovação desde que assumiu o cargo em 2025. Em 2018, Merz havia prometido reduzir o apoio à AfD pela metade, quando a sigla tinha 14% dos votos nacionais; atualmente, o partido atinge 29% nas sondagens gerais.
Para governar sem alianças no sistema parlamentarista, a AfD precisa de mais da metade dos assentos. Caso legendas menores não atinjam a cláusula de barreira de 5%, a sigla poderia formar maioria com 42,5% a 45,5% dos votos. Como outros partidos não aceitam coligação com a AfD, o resultado pode forçar uma aliança ampla entre CDU, Partido Social-Democrata (SPD), Partido Verde e A Esquerda, ou um governo de minoria liderado por Schulze.


