O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta quinta-feira (3) que a proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1 será votada no plenário da Casa apenas após as eleições. A declaração ocorreu durante sessão do Senado ao se dirigir ao senador Paulo Paim (PT-RS).
A fala de Alcolumbre indica que o texto não será analisado antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. O presidente do Senado não esclareceu se a votação poderá ocorrer no intervalo entre as duas etapas do pleito, período em que líderes do governo tentavam negociar a ida da proposta ao plenário.
A medida enfrenta resistência da oposição. O líder do PL no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), criticou a possibilidade de a votação acontecer entre os dois turnos. O fim da escala 6×1 é uma das bandeiras eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e integra a disputa entre os presidenciáveis.
A PEC foi aprovada na quarta-feira pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O relator, Omar Aziz (PSD-AM), rejeitou 36 emendas para acelerar a tramitação. O texto prevê jornada de cinco dias de trabalho e dois de folga.
Para ser aprovada, a proposta precisa de dois turnos de votação no plenário, com apoio de ao menos 49 dos 81 senadores em cada etapa. O texto já passou pela Câmara dos Deputados e pode ser promulgado pelo Congresso caso seja aprovado no Senado sem alterações.
A votação chegou a ser cogitada para esta semana, mas governistas avaliaram que não havia segurança sobre a quantidade de votos. O líder do PT no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), informou que o governo calcula ter entre 53 e 54 votos favoráveis, mas temia que ausências prejudicassem a aprovação.


