O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou nesta terça-feira (1º) que “não deve achar nada” sobre as mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), localizadas pela Polícia Federal (PF) no celular do empresário.
As conversas integram um relatório da PF sobre investigações do Banco Master, tornado público por decisão do ministro André Mendonça. O documento detalha contatos em que Vorcaro buscava informações durante crises na instituição financeira. Um dos pontos citados é a revisão, por Moraes, de um contrato de R$ 131 milhões entre Vorcaro e Viviane Barci antes da assinatura.
Questionado se a divulgação alteraria sua postura sobre os pedidos de impeachment contra ministros da Corte, Alcolumbre citou que há 109 solicitações pendentes no Congresso, afirmando que tal volume “não é normal”. Apesar da pressão, o senador sinalizou a aliados que não pretende dar andamento aos processos contra Moraes no momento, aguardando desdobramentos no próprio STF.
Durante sessão no plenário, que aprovou a indicação de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para o Tribunal de Contas da União (TCU), senadores da oposição criticaram Moraes. Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Cleitinho (Republicanos-MG) e Magno Malta (PL-ES) usaram seus discursos para atacar o ministro e cobrar providências do presidente da Casa.
Flávio Bolsonaro afirmou que as mensagens indicam suposta obstrução de Justiça e classificou a situação como um “dia triste para a democracia”. O senador atribuiu a “omissão” do Senado ao nível atual da crise institucional. Já o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), anunciou que enviará ofício ao governo federal pedindo a demissão de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal.
No Supremo Tribunal Federal, o ministro André Mendonça indicou que levará o relatório da PF ao plenário da Corte. A discussão ocorrerá em sessão presencial e pública, com data a ser definida pelo presidente do STF, Edson Fachin.


