O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizou a interlocutores nesta terça-feira (1º de setembro) que não pretende dar andamento a pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apesar da pressão da oposição após a divulgação de mensagens entre o magistrado e o banqueiro Daniel Vorcaro.
A posição foi transmitida a aliados enquanto senadores bolsonaristas ampliavam a ofensiva contra Moraes e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Um integrante da cúpula do Congresso avalia que as revelações tornam mais difícil para Alcolumbre conter a pressão, mas afirma que o presidente da Casa não deve tomar decisões no momento.
Em discurso no plenário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrou de Alcolumbre uma reação diante de mensagens encontradas pela PF no celular de Vorcaro, dono do Banco Master. Flávio acusou Moraes de atuar como articulador político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva junto ao Senado e afirmou que as conversas indicariam suposta obstrução de Justiça.
O líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), informou que enviará um ofício ao governo federal solicitando a demissão de Andrei Rodrigues do comando da PF. Marinho também protocolará uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR), direcionada ao vice-procurador-geral Hindenburgo Chateaubriand, para investigar Moraes e o diretor da PF.
A medida ocorre porque o procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi citado nas mensagens de Vorcaro. Em texto de 30 de outubro do ano passado, o banqueiro disse a Moraes que pediria ajuda com “Andrei e Paulo” para evitar que a PF e o MP prejudicassem seus negócios, alegando que o Banco Central estava sendo pressionado.
As investidas seguem a divulgação de relatório da PF baseado na análise do celular de Vorcaro, com mensagens enviadas a Moraes durante 13 dias em novembro de 2025. No período, o banqueiro buscava informações diante do risco de liquidação da instituição financeira.
No STF, o ministro André Mendonça indicou que levará o relatório da PF ao plenário da Corte. Mendonça determinou que a discussão ocorra em sessão presencial e pública, com data a ser definida pelo presidente do Supremo, Edson Fachin.


