A polícia da Alemanha identificou dois cidadãos russos suspeitos de envolvimento em um ataque frustrado com drones contra o aeroporto de Leipzig, ocorrido em agosto. O governo alemão atribuiu a operação a agentes de baixo escalão do Kremlin, classificando o episódio como parte de uma estratégia de guerra híbrida na Europa.
O primeiro suspeito possui cidadania bielorrussa e russa, tendo entrado no espaço Schengen com um visto de turista italiano. Segundo a imprensa local, vestígios de seu DNA foram encontrados no aeroporto e ele já possuía histórico de delitos nos países bálticos. O segundo suspeito, com cidadanias russa e letã, é apontado como instrutor e coordenador logístico da operação. Ele teria alugado um carro em Berlim no fim de julho para viajar até Leipzig, deixando o país dois dias antes do ataque.
A identificação ocorreu por meio de amostras de DNA coletadas em um drone, em uma antena presa a uma árvore e em uma lata com explosivos. A apuração indica que bases de dados da Lituânia e da Finlândia, junto a serviços de inteligência, permitiram a correspondência dos perfis, embora as autoridades alemãs tenham pouca esperança de prender os envolvidos.
No dia 4 de agosto, um drone com explosivos foi capturado próximo a um Antonov An-124 Ruslan, aeronave de carga ucraniana usada para transporte de suprimentos militares. O aparelho foi inutilizado por um funcionário do aeroporto com um chute e não explodiu porque o detonador havia se desprendido. Dez dias depois, em 14 de agosto, investigadores localizaram um segundo drone com cerca de 50 gramas de hexogênio a oeste do aeroporto.
Como retaliação, o governo anunciou nesta terça-feira (1º) o fechamento da Casa da Rússia em Berlim e do Consulado-Geral da Rússia em Bonn. A Embaixada em Berlim será a única representação diplomática remanescente. O plano inclui ainda novos nomes em sanções da União Europeia (UE), reforço no controle de entrada para russos e maior patrulhamento da frota de navios do país.
A porta-voz do Ministério do Exterior da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que Moscou reagirá às medidas. Em comentários na TV, Vladimir Putin classificou a decisão alemã como um erro sério que contraria os interesses do povo da Alemanha. O governo russo convocou o encarregado de negócios da Alemanha em Moscou para rejeitar as acusações, classificando-as como fabricadas.


