O ex-presidente colombiano Álvaro Uribe negou, nesta sexta-feira (4), responsabilidade por dois massacres e pelo assassinato de um defensor dos direitos humanos na década de 1990. O político de 74 anos prestou depoimento à Procuradoria-Geral, que o investiga por supostos vínculos com grupos paramilitares durante seu mandato como governador.
O interrogatório vincula formalmente Uribe ao processo sobre os massacres de El Aro, em 1997, e de La Granja, em 1996, ambos ocorridos em Antioquia. A investigação também apura o assassinato de Jesús María Valle, líder social morto a tiros em Medellín em 1998 após denunciar as matanças. “Eu acreditava ter servido à nação, mas hoje venho dizer que não sou assassino”, afirmou Uribe.
A Procuradoria acusa o ex-mandatário de facilitar e promover a atuação de grupos paramilitares na região. Durante as ações, camponeses foram mortos, casas foram incendiadas e gado foi roubado. Testemunhas e vítimas relataram a presença de um helicóptero do governo de Antioquia dando cobertura aos paramilitares no massacre de El Aro.
Presidente entre 2002 e 2010, Uribe afirma ser vítima de perseguição política. Em agosto de 2025, ele foi condenado a 12 anos de prisão domiciliar por subornar paramilitares presos para evitar que fossem citados em relação ao político, mas a decisão foi anulada por um tribunal de Bogotá.
O irmão do ex-presidente, Santiago Uribe, foi condenado no ano passado a 28 anos de prisão. Ele foi apontado como líder do grupo paramilitar Los 12 Apóstoles. As vítimas dos crimes cometidos na década de 1990 reivindicam justiça há anos.


