O governo de Javier Milei publicou, nesta sexta-feira (4), um decreto que acelera a aplicação de leis contra a exploração de hidrocarbonetos em áreas reivindicadas pela Argentina nas Ilhas Malvinas. A medida atinge o projeto Sea Lion, conduzido pelas empresas Rockhopper Exploration, do Reino Unido, e Navitas Petroleum, de Israel.
O projeto prevê investimentos de aproximadamente US$ 2,1 bilhões e produção inicial de 55 mil barris de petróleo por dia a partir de 2028. A Argentina considera ilegais as atividades de exploração realizadas sem autorização de Buenos Aires em sua plataforma continental. O presidente Javier Milei afirmou, em pronunciamento na quinta-feira (3), que a extração de recursos na região representa um “perigo concreto e urgente”.
O novo decreto atribui ao Ministério das Relações Exteriores, Comércio Internacional e Culto a responsabilidade de investigar infrações e aplicar sanções. O governo do Reino Unido, que controla o arquipélago desde 1833, defende o direito das autoridades locais de conceder licenças e afirmou que sua posição sobre as ilhas é inabalável, mantendo as Forças Armadas preparadas para proteger seus interesses.
Em comunicado conjunto na sexta-feira (4), a Rockhopper e a Navitas declararam que as medidas argentinas não devem produzir efeitos materiais sobre as atividades ou o cronograma do Sea Lion. As companhias informaram que as licenças são válidas e possuem apoio do governo britânico. A expectativa de receita para o governo das Malvinas ao longo de 40 anos de projeto varia entre US$ 2,85 bilhões e US$ 8,8 bilhões.
O mercado reagiu ao pronunciamento de Milei com a queda de ações. Os papéis da Rockhopper recuaram 10% na abertura do pregão em Londres, enquanto a Navitas caiu 2% em Tel Aviv. A Borders & Southern Petroleum, que também detém licenças na região, registrou queda de aproximadamente 15%.
A Argentina monitora a posição dos Estados Unidos. Em agosto, Donald Trump afirmou que costuma rever suas posições quando questionando sobre o arquipélago, tom interpretado por Milei como uma oportunidade diplomática para Buenos Aires.


