As instituições financeiras brasileiras aumentaram a preocupação com os riscos fiscais e a inadimplência, segundo a Pesquisa de Estabilidade Financeira do Banco Central (BC) divulgada nesta quinta-feira (3). O levantamento, realizado entre 2 e 28 de julho com 117 entidades do Sistema Financeiro Nacional (SFN), analisa a percepção do setor para os próximos três anos.
Os riscos fiscais seguem como a principal ameaça à estabilidade financeira. Em agosto, 34% das instituições classificaram esse grupo como o risco mais importante, contra 27% na pesquisa de maio. O BC informou que a avaliação é motivada pelo crescimento da dívida pública e pelo deficit primário.
A inadimplência e a atividade econômica registraram o maior crescimento entre as categorias avaliadas. A proporção de instituições que veem esse grupo como o principal risco subiu de 21% em maio para 26% em agosto. O setor associa a tendência ao endividamento de famílias e empresas sob taxas de juros elevadas.
Ao considerar as três principais ameaças de cada instituição, a inadimplência e a atividade econômica tornaram-se o risco mais citado. A frequência média de menções subiu de 0,72 em maio para 0,81 em agosto. O cenário internacional aparece em seguida, com 0,66, enquanto os riscos fiscais registraram 0,60 citações por participante.
Tanto os riscos fiscais quanto a inadimplência foram classificados com probabilidade médio-alta e impacto alto sobre o SFN. De acordo com o BC, o impacto alto representa um efeito potencial sobre um volume de ativos entre 5% e 10% do sistema.
O cenário internacional é a principal ameaça para 20% das instituições, queda em relação aos 24% de maio. O BC afirmou que persistem as preocupações com a guerra no Oriente Médio e os reflexos na inflação brasileira. O risco operacional manteve-se em 12% e o de regulação subiu de 1% para 2%.


