O governo brasileiro pode adotar medidas de reciprocidade contra o embargo da União Europeia a produtos de origem animal do Brasil, segundo comunicado conjunto dos ministérios da Agricultura e de Relações Exteriores nesta quinta-feira (3). A retaliação será avaliada caso as negociações entre as partes não cheguem a uma solução satisfatória.
A suspensão das importações passou a vigorar nesta quinta-feira. O bloqueio atinge exportações que, em 2025, foram avaliadas em US$ 1,84 bilhão, com impacto principal no setor de carnes.
A Comissão Europeia justificou a medida alegando que o bloco ainda busca garantias do Estado brasileiro sobre a ausência de substâncias antimicrobianas no processo produtivo do país.
Em nota, o governo brasileiro expressou profunda preocupação com a implementação das restrições. O texto informa que há contato contínuo com a União Europeia e com os setores produtivos para tentar manter a continuidade dos fluxos comerciais.
O comunicado afirma que o governo reserva-se o direito de utilizar instrumentos para assegurar condições equilibradas de comércio, incluindo a reciprocidade prevista na lei nacional, no Acordo Mercosul-União Europeia e no sistema multilateral de comércio.
A gestão brasileira acrescentou que os itens afetados eram objeto de cotas e reduções tarifárias no acordo com o bloco europeu. A exclusão desses produtos do mercado anula parte dos ganhos obtidos pelo Brasil nas negociações.


