O Brasil reafirmou nesta semana o apoio à reivindicação da Argentina pela soberania das Ilhas Malvinas, independentemente dos atritos políticos entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei. A mensagem foi transmitida pelo encarregado de negócios brasileiro em Buenos Aires, Eduardo Uziel, durante comemorações da Independência do Brasil no Teatro Colón.
Uziel classificou como “invariável” a posição brasileira sobre o arquipélago, controlado pelo Reino Unido desde 1833. O diplomata afirmou que o vínculo entre as duas nações, com mais de 200 anos de amizade, é capaz de sobreviver a diferenças políticas conjunturais. A fala ocorreu em um momento de distanciamento entre Lula e Milei, cujas divergências ideológicas têm impactado a relação entre Brasília e Buenos Aires.
A cerimônia no Teatro Colón evidenciou o clima entre as gestões. Segundo a imprensa local, autoridades de primeiro escalão do governo Milei não compareceram ao evento. Estiveram presentes o representante argentino no G20, Federico Pinedo, o deputado Sebastián Pareja e a ex-chanceler Diana Mondino, mas nenhum funcionário de alto escalão da atual cúpula da Chancelaria argentina participou.
A questão das Malvinas é tratada como política de Estado na Argentina, transcendendo divisões partidárias. Buenos Aires reivindica a soberania sobre as ilhas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul. O Reino Unido rejeita a pretensão e defende a autodeterminação dos moradores. Os dois países travaram guerra em 1982, vencida pelos britânicos, mas a disputa diplomática permanece ativa.
O governo brasileiro indica que a posição sobre o território não depende da afinidade entre os chefes de Estado. O Brasil e a Argentina mantêm cadeias produtivas integradas, especialmente na indústria, e dividem interesses no Mercosul. O discurso de Uziel buscou situar a tensão atual dentro de uma perspectiva histórica mais ampla, separando as relações pessoais dos líderes dos interesses permanentes dos Estados.
A manifestação também possui dimensão internacional, especialmente após episódios no Mundial de 2026, quando jogadores argentinos exibiram bandeiras das Malvinas contra a Inglaterra. Como integrante do G20 e dos Brics, o Brasil envia um sinal tanto a Buenos Aires quanto a Londres, demonstrando que divergências com Milei não significam hostilidade contra a Argentina.


