Uma lei municipal de 1999 em Belém estabelece a obrigatoriedade do atestado médico para a matrícula em academias. Para a cardiologista Valéria Santos, a avaliação clínica não deve ser tratada como mera formalidade, mas como a única forma de identificar doenças silenciosas e definir a intensidade adequada de exercícios para cada paciente.
A médica afirma que a ausência de sintomas não garante que o paciente esteja saudável. Condições como hipertensão, alterações estruturais do coração e distúrbios do ritmo cardíaco podem permanecer silenciosas por longos períodos, tornando a avaliação essencial para evitar complicações durante o esforço físico.
Santos explica que o atestado médico não deve ser interpretado como um “passe livre” para qualquer nível de intensidade. A análise deve considerar a idade, o histórico familiar, níveis de colesterol, diabetes, tabagismo e a pressão arterial, especialmente para quem tenta recuperar o tempo perdido após longos períodos de sedentarismo.
A especialista alerta que a transição brusca do sofá para corridas de 5 ou 10 quilômetros pode exigir do coração um desempenho para o qual o organismo não está preparado. O condicionamento deve ser construído progressivamente, permitindo que músculos e articulações se adaptem ao novo ritmo.
Sinais como dor ou pressão no peito, tontura, desmaios, palpitações e falta de ar desproporcional são indicados como alertas para a interrupção imediata do treino. A médica ressalta que a morte súbita, embora rara, pode ocorrer em jovens com doenças cardíacas estruturais ou em pessoas acima de 35 anos com obstruções arteriais não diagnosticadas.
A segurança do aluno depende de uma responsabilidade compartilhada. Enquanto o médico avalia a condição clínica e indica exames como o teste ergométrico, o profissional de Educação Física deve orientar a execução dos exercícios e a progressão de cargas. O objetivo é garantir que a atividade física seja sustentável e segura.


