A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), identificou erros nas medidas adotadas pelos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes que levaram a Corte a uma crise institucional. A posição da magistrada é considerada decisiva para definir a hegemonia de grupos rivais dentro do tribunal em votações sobre as condutas dos dois colegas.
O plenário do STF deve discutir se houve arbitrariedade nos métodos de Mendonça em apurações sobre o INSS e o Banco Master. Tais investigações resultaram em um relatório da Polícia Federal (PF) que aponta Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em resposta, a Corte avaliará se foi regular a decisão de Moraes de usar o inquérito das fake news para pedir investigação contra Mendonça por crime de responsabilidade, improbidade administrativa e abuso de autoridade.
Cármen Lúcia chegou a telefonar para Moraes na quinta-feira (3) para expressar solidariedade diante da exposição pública. No entanto, a ministra demonstrou perplexidade com a erosão interna do Supremo e não aprovou o uso do inquérito das fake news como contra-ataque. Ela afirmou a auxiliares que decidirá exclusivamente com base nos autos, documentos que ainda não acessou integralmente.
Atualmente, Moraes conta com o apoio de Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Mendonça calcula ter os votos de Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e Edson Fachin. O ministro Dias Toffoli não participará das votações por ter se declarado suspeito nos casos envolvendo o Banco Master.
Aliados de Mendonça argumentam que a integridade de Cármen a levaria a votar contra a impunidade de um ministro sob suspeita de integrar a rede de influência de Vorcaro. Já o entorno de Moraes sustenta que a ministra é contrária a procedimentos arbitrários, citando o voto dela em 2021 para reconhecer a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro em processos do presidente Lula.
A ministra mantém alinhamentos distintos: concorda com Mendonça sobre a implementação de um código de conduta para o STF, mas acompanhou Moraes em todos os votos da ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado. Interlocutores afirmam que ela não possui alinhamento irrestrito com nenhuma ala e manifestou preocupação com o impacto catastrófico da crise para a instituição.


