A Casa Branca disponibilizou, nesta quinta-feira (3), jogos com temática nacionalista em seu site oficial que permitem aos usuários deportar imigrantes e construir um muro na fronteira. A medida, parte da estratégia de comunicação do governo de Donald Trump, recebeu críticas de entidades de direitos humanos.
Um dos títulos, chamado Rio Run, utiliza a mecânica do jogo Snake. Nele, um avatar de Tom Homan, encarregado de políticas de imigração e fronteira, persegue imigrantes de diferentes tons de pele às margens do Rio Grande, na divisa com o México. Outro jogo, inspirado no Tetris e nomeado Build the Wall, instrui o jogador a proteger a fronteira de uma horda.
A plataforma oferece ainda um terceiro jogo focado na coleta de redes para depósitos em contas de investimento de US$ 1.000 (R$ 5,1 mil) destinadas a crianças nascidas entre 2025 e 2028. Para a divulgação, o perfil do governo no X publicou um vídeo com a sigla Maga, imitando a identidade visual da fabricante de videogames Sega.
Amerika Garcia Grewal, codiretora da Federação Frontera no Texas, afirmou que a iniciativa transforma a vida de pessoas em videogame e demonstra a perda de humanidade de quem projetou as ferramentas. Adriana Jasso, coordenadora da ONG Amigos San Diego Community, disse que os jogos ridicularizam migrantes enquanto pessoas morrem em centros de detenção.
A estratégia de comunicação da Casa Branca utiliza a trolagem para gerar indignação e alcance viral. Recentemente, o Departamento de Segurança Interna (DHS) divulgou vídeo de deportação de imigrantes haitianos algemados após a revogação de seus status legais, material classificado como racista por opositores.
Em comunicado, a Casa Branca defendeu a iniciativa ao afirmar que o videogame contrasta a cultura de diversão e sucesso com a visão socialista dos democratas. O governo informou que busca inovar a forma de contar as conquistas do presidente para que ressoem com os americanos.


