Uma corretora de câmbio localizada em uma galeria da avenida Paulista, em São Paulo, funcionava como peça central de um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a Polícia Federal (PF), a empresa internalizava recursos do tráfico internacional de drogas por meio do sistema clandestino conhecido como dólar-cabo.
A investigação aponta que o proprietário da Marmaris Corretora de Câmbio, Marcos Alexandre Agustoni, desempenhou papel fundamental na operação. A PF identificou mensagens que indicam a atuação do empresário em uma remessa de US$ 1,7 milhão (R$ 8,67 milhões) a ser recebida em Roterdã, na Holanda. Durante buscas no estabelecimento, agentes apreenderam R$ 120,5 mil, US$ 25,9 mil (R$ 132 mil) e 2.625 euros (R$ 15,5 mil) em espécie, além de aparelhos eletrônicos.
O sistema de dólar-cabo opera via compensações financeiras, sem registro no sistema bancário oficial: um operador recebe recursos em um país e, em outro, alguém disponibiliza o valor correspondente. A PF afirma que a segurança da casa de câmbio era feita por agentes expulsos da Rota, tropa de elite da Polícia Militar de São Paulo.
O inquérito começou em 2021, em João Pessoa, após a prisão de dois italianos ligados à máfia ‘Ndrangheta. Um deles, Vincenzo Pasquino, revelou a conexão entre Agustoni e outros investigados. O empresário ficou oito meses foragido após a deflagração da operação em 2024, sendo detido em agosto do ano passado. Ele foi solto em março deste ano e cumpre medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
A defesa de Agustoni afirma em juízo que o cliente não possui ligação com o tráfico de entorpecentes e que os atos a ele atribuídos referem-se apenas a lições financeiras. O empresário e outras nove pessoas foram denunciados por organização criminosa e associação para o tráfico. O Ministério Público Federal (MPF) conduz, em inquérito independente, a apuração do crime de lavagem de dinheiro.
A PF também investiga esquema similar em Santa Catarina envolvendo o Primeiro Grupo Catarinense (PGC). Nesse caso, o empresário Maycon Marcos, dono da Smart Business, coordenaria repasses de vendas na Europa via criptomoedas para o líder da organização, Ângelo Scotti Júnior, preso em maio deste ano.


