A Alta Representante da União Europeia para Assuntos Estrangeiros, Kaja Kallas, afirmou nesta quarta-feira (2) que a tentativa de ataque com um drone russo em um aeroporto alemão no mês passado apresentou todas as características de “terrorismo patrocinado pelo Estado”. A declaração ocorreu após a Alemanha atribuir a responsabilidade a Moscou.
Kallas informou a jornalistas na Irlanda que os embaixadores russos já foram convocados. A diplomata disse que os países do bloco consideram a aplicação de novas sanções contra ativos militares da Rússia e buscam intensificar a pressão sobre Moscou para encerrar a guerra na Ucrânia.
O Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, declarou que a Rússia foi a responsável pelo ataque no aeroporto de Leipzig/Halle no início de agosto. Na ocasião, foi encontrado um drone com explosivos próximo a uma pista, perto de uma aeronave de carga ucraniana. O local serve como base para jatos Antonov da Ucrânia desde 2022 e é utilizado pela OTAN e pelas forças armadas alemãs.
Wadephul descreveu a tecnologia do drone como “profissional”, com componentes e sistemas de ignição familiares a outras operações híbridas russas. Como retaliação, o governo alemão anunciou o fechamento do consulado russo em Bonn a partir de 18 de setembro e o encerramento do contrato de aluguel da Casa Russa em Berlim, além de controles de entrada mais rígidos para cidadãos russos.
A Rússia negou as acusações. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, afirmou que não foram apresentadas evidências e que Berlim escalou as relações bilaterais sob um pretexto improvável. O presidente Vladimir Putin classificou a resposta alemã como um “erro grave”. O vice-ministro das Relações Exteriores, Alexander Grushko, disse que Moscou responderá conforme considerar necessário.
Líderes internacionais manifestaram apoio à Alemanha. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, condenaram a ação russa. O presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu a adoção de novas sanções europeias, enquanto o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, afirmou que as evidências são claras e que as tentativas de intimidação falharão.


