Representantes de indústrias e trabalhadores alertaram, em audiência pública na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (1º), que a importação de aço chinês por rotas alternativas ameaça a sustentabilidade das metalúrgicas brasileiras e gera concorrência desleal no setor siderúrgico nacional.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense, Odair Mariano da Silva, afirmou que o produto chinês entra no Brasil via países do Mercosul para aproveitar o livre-comércio do bloco, onde não haveria fiscalização ou barreiras. Silva informou que o setor registrou 5 mil demissões em 2025.
Jairo Rodrigues da Silva, presidente do Sindicato das Indústrias, declarou que o Brasil exporta minério de ferro bruto e compra o material industrializado por um valor até 40% menor do que o produto nacional. Segundo ele, a disparidade de custos afeta a competitividade da indústria local.
O impacto municipal foi citado por Haroldo Cruz Filho, presidente da Associação dos Processadores de Aço (Aproaço). Em Pinheiral (RJ), cidade que depende em 90% da fabricação de folha de flandres, a arrecadação caiu 30% em dois anos devido à entrada de importados, inclusive pela Zona Franca de Manaus.
Alexandre Furtado Scarpelli, representante do Ministério do Trabalho e Emprego, confirmou que o setor siderúrgico segue estagnado, apesar de reação em outras áreas da indústria brasileira. Atualmente, o país conta com 215 mil metalúrgicos em 2,3 mil indústrias, com salário médio de R$ 3,5 mil.
O deputado Max Lemos (União-RJ), autor do requerimento para a audiência, disse que a crise pode causar demissões em massa na construção civil, infraestrutura e indústria automotiva. Lemos anunciou que enviará requerimentos de informação à Receita Federal e convidará ministros de Estado para novos debates após o período eleitoral.


