O Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) abriu um procedimento interno para analisar se o procurador-geral da República, Paulo Gonet, deve permanecer na condução das investigações sobre fraudes no Banco Master. A medida ocorre após um pedido do Partido Novo fundamentado em mensagens do fundador da instituição financeira, Daniel Vorcaro.
O subprocurador-geral Francisco de Assis Sanseverino, chefe da 2ª Câmara de Coordenação e Revisão, é o relator do processo. Ele deve requisitar esclarecimentos de Gonet antes de encaminhar o caso para a análise do conselho. De acordo com a Lei Orgânica do Ministério Público da União, o Conselho Superior é a instância máxima para avaliar crimes comuns cometidos pelo procurador-geral.
A apuração baseia-se em decisão do ministro André Mendonça, ocorrida na terça-feira (1º), que solicitou investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Dados da Polícia Federal (PF) indicam que Vorcaro enviou mensagens a Moraes questionando se poderia acionar o PGR e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmando que não seria possível reverter a situação com ambos.
Dentro da cúpula do MPF, as menções ao procurador-geral geraram reações divergentes. Há críticas internas ao pedido de Gonet para anular atos da PF que embasaram as investigações contra Moraes. Por outro lado, aliados de Gonet afirmam que a ida do procurador a um evento patrocinado por Vorcaro não indica a prática de crime comum.
Gonet pediu, na terça-feira (1º), a nulidade dos atos de André Mendonça, alegando abuso de autoridade por parte do magistrado ao indicar a investigação sem abrir prazo para manifestação da Procuradoria-Geral da República. O PGR afirmou que não cabe ao juiz realizar investigações pré-processuais ou utilizar a polícia judiciária para tais atividades.


