Integrantes do Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) manifestaram desânimo nesta terça-feira (1º) após a divulgação de relatório da Polícia Federal que cita o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O documento investiga a relação do chefe da instituição com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e com o ministro Alexandre de Moraes.
A cúpula do órgão avalia que o pedido de nulidade das investigações feito por Gonet é impróprio. Para as fontes ouvidas, o inquérito deveria ficar sob a responsabilidade do vice-PGR, Hindemburgo Chateaubriand. Apesar das críticas internas, Gonet decidiu continuar no caso. A decisão final sobre a tramitação cabe ao próprio procurador-geral.
Segundo a Polícia Federal, Gonet e Vorcaro iniciaram relação em um evento financiado pelo Banco Master, em Londres. Mensagens do advogado Ciro Soares indicam que o PGR solicitou a disponibilidade de whisky Macallan e charutos. O relatório afirma ainda que Gonet pediu a Vorcaro que custeasse a ida de seu filho para a capital inglesa.
O pedido de nulidade do inquérito ocorreu após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo das investigações e encaminhar o caso para discussão no plenário da Corte. O presidente do tribunal, Luiz Edson Fachin, deve pautar a questão. Gonet classificou a atitude do magistrado como um possível abuso de poder.
No âmbito do MPF, a reação rápida do PGR em pedir a nulidade causou mal-estar. Membros da instituição apontam contradição, já que Gonet utilizou como argumento que Mendonça pediu investigações por ofício, posição que o próprio procurador-geral não adotou no inquérito das fake news, conduzido por Alexandre de Moraes.
Fontes da reportagem sugerem a aplicação da Lei Orgânica do Ministério Público da União. O dispositivo prevê que crimes comuns contra o PGR sejam de atribuição do Conselho Superior, que deve designar um subprocurador-geral isento para atuar. Há também discussões internas sobre a necessidade de retorno da escolha do PGR via lista tríplice para garantir autonomia institucional.
As informações constam em relatório de 218 páginas baseado na análise do celular de Vorcaro, apreendido na Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025 para investigar fraudes na venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB). O documento foi entregue à Justiça em 27 de agosto de 2026.


