Um levantamento baseado em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta que 2.744 candidatos a cargos públicos não informaram endereços de redes sociais em seus registros. A omissão pode impactar a validade das candidaturas, seguindo o critério utilizado pelo ministro Dias Toffoli para suspender parte da campanha de Renan Santos, candidato à Presidência.
A lacuna nas informações atinge postulantes de legendas variadas, do PT ao Cidadania e do PL ao PSOL. O número de afetados pode ser maior caso sejam contabilizadas as prestações de contas com dados incompletos. A declaração de sites e redes sociais é um dos requisitos obrigatórios para o registro da candidatura.
Entre os nomes que utilizam perfis ativos, mas não constam com os endereços nos registros do TSE, estão os deputados federais André Fufuca (PP) e Helio Lopes (PL), que disputam vagas ao Senado por Maranhão e Roraima. Também aparecem na lista Chico Rubens Paiva (PSB), candidato à Câmara pelo Rio de Janeiro, e José Carlos Eymael (DC), que concorre em São Paulo.
No Instagram, Fufuca soma 141 mil seguidores e realizou mais de 70 publicações desde 16 de agosto. Questionado, o ex-ministro do Esporte afirmou que prestou a informação ao tribunal. Já Helio Lopes, aliado de Jair Bolsonaro, possui 1,9 milhão de seguidores na plataforma, onde divulga vídeos de oração e materiais de campanha.
Chico Rubens Paiva, que possui 121 mil seguidores, disse que informou todas as redes e que houve um erro no processo. O ex-diretor do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) declarou que acionou o advogado do PSB, que entrou com petição para corrigir os dados. A reportagem tentou contato com Helio Lopes e com o TSE, mas não obteve retorno.
A decisão de Toffoli no caso de Renan Santos proibiu a propaganda na internet e bloqueou repasses do fundo eleitoral. O ministro também suspendeu gastos de recursos já destinados e o direito de participação em debates em rádio, televisão e podcasts. O candidato à Presidência pode ficar fora das urnas.

