Dezesseis operações de fabricantes chinesas de veículos atuam oficialmente no Brasil, impulsionadas pela expansão de modelos elétricos e híbridos. O movimento, que ganhou velocidade com a chegada da BYD em 2022, envolve desde carros compactos e SUVs até picapes e veículos de luxo, com planos de produção local e redes de distribuição.
A nova fase de entrada da China no mercado automotivo brasileiro difere da primeira tentativa, ocorrida há cerca de dez anos com marcas como Lifan e Effa, que enfrentou críticas por problemas de acabamento e pós-venda. Atualmente, as empresas chegam com maior capacidade financeira, tecnologias avançadas e parcerias com grupos tradicionais.
A BYD montou veículos em Camaçari, na Bahia, utilizando o sistema SKD, no qual os carros chegam em kits parcialmente desmontados. A unidade produz os modelos Song Pro, Dolphin Mini e o sedã King. A fabricante também lançou o Song Pro híbrido flex, com versões GL por R$ 176.990 e GS por R$ 199.990.
Outras operações expandem a presença física. A Omoda & Jaecoo, do Grupo Chery, possui mais de 70 lojas em 24 estados e prevê três lançamentos para 2026: Omoda 4, Jaecoo 5 e Jaecoo 8. A empresa contratou Roger Corassa, ex-vice-presidente de Vendas e Marketing da Volkswagen do Brasil, para o cargo de vice-presidente executivo.
A Geely utiliza a estrutura da Renault para ampliar sua atuação e planeja a produção nacional de modelos eletrificados. O grupo também controla as marcas Zeekr, Lotus e Riddara. A Zeekr foca no segmento premium, com a perua elétrica 001, cuja versão Flagship custa R$ 542 mil, além dos SUVs X (R$ 338 mil) e 7X (R$ 448 mil).
Além de BYD e Geely, a lista de operações inclui Caoa Changan, Caoa Chery, Denza, Foton, GAC, GWM, iCaur, JAC Motors, Jetour, Leapmotor, MG Motor e Omoda & Jaecoo. As marcas Neta e Riddara também são associadas ao movimento, embora o futuro de suas operações no país seja considerado indefinido.
A chegada desses fabricantes aumenta a oferta de sistemas híbridos e motores elétricos, pressionando os preços no mercado. O crescimento impõe desafios relativos à disponibilidade de peças, consolidação de concessionárias e valor de revenda dos veículos.


