O dólar fechou em alta de 0,52%, cotado a R$ 5,1308, nesta sexta-feira (4), acompanhando a valorização da moeda nos Estados Unidos. O movimento ocorreu após a divulgação de dados fortes do mercado de trabalho norte-americano, o payroll, que elevaram as apostas em um aumento de juros pelo Federal Reserve (Fed) em setembro.
Apesar da alta diária, a moeda americana recuou 1,26% ao longo da semana. Operadores apontam que o resultado reflete um ajuste de posições após quatro dias de queda, influenciados por pesquisas eleitorais. Um levantamento do Datafolha, divulgado na quinta-feira, indicou empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 46% das intenções de voto, e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 44%, em simulação de segundo turno.
O relatório de emprego dos Estados Unidos mostrou a criação de 162 mil vagas em agosto, superando a estimativa de 125 mil. A taxa de desemprego ficou em 4,1% e o salário-hora subiu 0,3%. Segundo o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, a geração de empregos três vezes superior às expectativas assustou investidores, mas a semana foi marcada pelo ajuste de risco diante da possibilidade de vitória da oposição no Brasil.
No mercado de ações, o Ibovespa encerrou a sessão praticamente estável, com queda de 0,02%, aos 185.147,15 pontos. O giro financeiro foi de R$ 17 bilhões. Na semana, o índice acumulou alta de 5,40%, impulsionado pela percepção de que uma chapa de direita poderia oferecer maior compromisso com a agenda de gastos públicos.
Os juros futuros na B3 registraram volatilidade, mas fecharam em queda pelo quarto dia consecutivo. O movimento foi sustentado pela desaceleração econômica brasileira e pelo acirramento da disputa eleitoral. A taxa de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 fechou em 13,575%, enquanto o DI para janeiro de 2031 recuou para 14,080%.
A economista Luíza Pinese, da XP, afirmou em relatório que a projeção para a taxa de câmbio ao fim do ano é de R$ 5,00. Pinese indicou que o principal risco para o real até dezembro é a eventual elevação dos juros nos Estados Unidos, embora a condução da política monetária do Banco Central (BC) e as contas externas devam dar suporte à moeda.


