Editoras apresentam na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo os book charms, livros em formato de chaveiro que funcionam como acessórios para bolsas e mochilas. Os volumes, que possuem entre 12 cm e 13 cm de altura, trazem o texto integral das obras e são vendidos a preços entre R$ 47 e R$ 59,90.
A estratégia de transformar a leitura em objeto de moda surgiu em fevereiro, na Semana de Moda de Nova York, quando a marca Coach lançou 12 títulos em parceria com a editora Penguin Random House. A tendência é acompanhada por grifes como Chanel, Miu Miu, Saint Laurent e Dior, que associam a literatura a conceitos de status e autenticidade.
Na Bienal, a editora Rocco testou o conceito com a obra “A hora da estrela”, de Clarice Lispector. Segundo Bruno Zolotar, diretor comercial e de marketing da empresa, a novidade vendeu tanto quanto a edição de capa dura. A editora planeja lançar outros títulos de autores nacionais de ficção jovem no mesmo formato.
A editora Planeta trouxe versões de clássicos como “A metamorfose”, de Franz Kafka, e “O alienista”, de Machado de Assis. Um diário interativo da série “As aventuras de uma princesa desastrada”, de Maidy Lacerda, disponível apenas como book charm, vendeu mais de três mil cópias no evento.
Felipe Brandão, diretor editorial da Planeta, afirmou que o livro passou a ser um objeto que representa a identidade do comprador. Para ele, o acessório funciona como uma extensão do vínculo afetivo entre o leitor e a história. A editora Pé de Letra também apostou em clássicos, como “O diário de Anne Frank” e “O pequeno príncipe”, para atrair quem deseja projetar uma identidade de leitor.
Os livros-chaveiro são posicionados estrategicamente próximos aos caixas nos estandes do Distrito Anhembi. Entre as obras disponíveis em tamanho reduzido estão títulos extensos, como a Bíblia e “Crime e castigo”, de Dostoiévski.


