Um investidor perdeu a posse de uma fazenda avaliada em R$ 8 milhões em Minas Gerais após utilizar o imóvel como garantia de um empréstimo de US$ 300 mil. O negócio estava ligado a um projeto de documentário apresentado em 2016 pela empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva.
O projeto previa a produção de um filme sobre o designer de carros de luxo Horacio Pagani, com orçamento de US$ 4 milhões a serem financiados por um fundo do Bahrein. Para viabilizar a operação enquanto aguardava os recursos, o grupo buscou um empréstimo-ponte. O investidor, identificado como Lauro, aceitou avalizar a operação em troca de comissão de R$ 40 mil e participação na bilheteria.
O financiamento não foi liberado e as parcelas do empréstimo não foram pagas. O credor recorreu ao Judiciário e obteve a posse da propriedade. Roberta Luchsinger afirmou que também foi enganada pelo responsável pelo investimento e alegou que o avalista tinha conhecimento dos riscos envolvidos na operação.
A apuração indica a existência de outros processos contra a empresária em São Paulo e Minas Gerais. Entre as dívidas estão R$ 91 mil em mensalidades escolares, R$ 61 mil devidos a um tapeceiro e uma conta de roupas que, atualizada, superou R$ 21 mil. No processo do tapeceiro, Luchsinger entregou 14 gravuras como se fossem originais de Candido Portinari, mas o Projeto Portinari informou que eram reproduções impressas.
Houve ainda uma cobrança de R$ 500 mil por um apartamento de alto padrão em São Paulo, quitada em maio de 2024. Outras ações judiciais envolvem aluguéis, relações trabalhistas e marketing político.
A Polícia Federal também menciona a empresária em um inquérito que investiga suas relações com Fábio Luís Lula da Silva, com Antônio Carlos Camilo Antunes e com Marco Aurélio Ribeiro, ex-chefe de gabinete da Presidência. A investigação apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência. Luchsinger não concedeu entrevista, mas enviou números de processos e indicou quais já foram arquivados.


