A busca por apoio jurídico apenas após a instalação de problemas financeiros e a falta de formalização em sociedades são erros recorrentes na gestão de empresas. Segundo Marcela Oliveira, CEO da Legal Lab, a tendência de tratar o setor jurídico como ferramenta para apagar incêndios compromete a sustentabilidade de negócios em fase de crescimento.
A formação de sociedades entre amigos ou familiares frequentemente ignora a definição de regras para a saída de sócios, venda de participações ou entrada de investidores. Oliveira afirma que a maioria das brigas societárias surge por omissão, dificultando a negociação de normas após o início de conflitos.
O uso de modelos genéricos de contratos também é apontado como falha comum. A CEO explica que documentos reaproveitados podem formalizar a relação, mas não protegem o negócio contra riscos específicos de cada operação, como prazos, multas e propriedade intelectual.
Na área trabalhista, a contratação de prestadores de serviço por meio de pessoa jurídica sem a devida compatibilidade entre o contrato e a realidade da operação gera passivos relevantes. A ausência de políticas internas e o controle inadequado de jornada completam a lista de vulnerabilidades.
A proteção de ativos intelectuais é outro ponto crítico. Muitas empresas investem em identidade visual e marketing antes de verificar a disponibilidade da marca ou buscar o registro no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), colocando em risco o investimento realizado.
A mistura entre patrimônio pessoal e empresarial, além de decisões baseadas apenas na urgência comercial, são comportamentos perigosos em empresas que crescem rápido. A executiva defende que a profissionalização do jurídico deve ocorrer simultaneamente às áreas comercial, financeira e de marketing.
Para a CEO da Legal Lab, a prevenção jurídica não elimina as incertezas do empreendedorismo, mas permite que o empresário conheça as consequências de cada decisão. O objetivo é que o jurídico seja utilizado antes da tomada de decisão, e não apenas após o surgimento de notificações ou ações judiciais.


