Contrações involuntárias nas pálpebras, condição médica chamada de mioquimia palpebral, são causadas principalmente por fadiga e estresse, segundo especialistas. Os espasmos, que podem durar de segundos a semanas, são descritos como pulsações em fibras oculares que geram sensação de desconforto, mas geralmente não representam riscos graves à saúde.
Rogelio Ribes Escudero, chefe de transplante de córnea do Hospital Alemão de Buenos Aires, compara o sintoma a um sinal de alerta do organismo. O médico afirma que a contração indica que o paciente precisa diminuir o ritmo de vida. Segundo Escudero, esses tremores não se restringem aos olhos, podendo ocorrer também nos ombros ou nas pernas.
O neurologista Alejandro Guillermo Andersson, diretor do Instituto de Neurologia de Buenos Aires, explica que a mioquimia é uma fasciculação que ocorre com mais frequência na pálpebra inferior. Ele diferencia o quadro do blefarospasmo, que consiste no espasmo de todo o músculo ao redor do olho, provocando o fechamento completo da pálpebra e podendo causar cegueira funcional.
Além do estresse, a ansiedade e o consumo de estimulantes, como cafeína, chá e erva-mate, são apontados como gatilhos para as contrações. Andersson informa que a condição não possui relação com a pressão ocular nem com o risco de acidente vascular cerebral (AVC).
A recomendação médica é a consulta com um oftalmologista para descartar outros diagnósticos. De acordo com o neurologista, a calma é essencial, já que o nervosismo do paciente pode piorar a mioquimia.
Para casos persistentes e incômodos, a Academia Americana de Oftalmologia recomenda a injeção de toxina botulínica nos músculos oculares. O procedimento atua como relaxante muscular, com alívio que dura ao menos três meses. Quando a toxina não é indicada, o médico pode prescrever medicamentos para reduzir as contrações involuntárias.


