A Polícia Federal (PF) investiga se Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, recebeu propina do banqueiro Daniel Vorcaro. A suspeita surge após mensagens de WhatsApp indicarem a cobrança e o pagamento de valores por meio de empresas intermediárias, segundo a apuração da Polícia Federal.
O servidor havia enviado ao Ministério Público Federal (MPF), em 15 de julho de 2025, um documento relatando irregularidades em operações de carteiras de crédito do Banco Master vendidas ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12 bilhões. O relato, enviado à chefe da Procuradoria da República no Distrito Federal, Anna Carolina Resende Maia Garcia, apontava falhas na escrituração contábil e demonstrações financeiras que não refletiam a situação real da instituição.
Sete dias após a denúncia, mensagens trocadas entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, mencionam Santana. Em 22 de julho, Zettel teria perguntado ao banqueiro se deveria pagar o servidor. Vorcaro teria concordado, e o operador financeiro descreveu um caminho de transferências envolvendo a empresa Super Empreendimentos e Participações e a Varajo Consultoria, de Leonardo Palhares, para chegar ao destino final.
Para a Polícia Federal, a estrutura de repasses entre diferentes empresas serviu como mecanismo de dissimulação para esconder a origem e o destino dos recursos. As conversas agora integram a investigação sobre uma rede de pagamentos ilícitos ligada ao Banco Master, que entrou em liquidação extrajudicial em novembro de 2025.
Daniel Vorcaro foi preso duas vezes: a primeira em novembro de 2025 e a segunda em 4 de março de 2026. Ele é investigado por corrupção, lavagem de dinheiro, ameaças e invasão de dispositivos informáticos. Em depoimento recente à PF, o banqueiro negou ter pago propina a ex-diretores do Banco Central.

