O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, relatou ter sofrido torturas físicas, psicológicas e ameaças de morte por agentes da Polícia Federal (PF) durante transporte sob custódia. As declarações foram prestadas ao juiz auxiliar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça no âmbito da Petição 16.653.
Vorcaro afirmou que, durante um trajeto de helicóptero, policiais ironizaram sua situação e disseram que seria mais fácil jogá-lo da aeronave. Segundo o empresário, as intimidações começaram quando ele manifestou interesse em assinar um acordo de colaboração com a Justiça. Ele relatou ter ficado confinado em espaço reduzido por seis horas sem circulação de ar adequada.
O investigado, que cumpre prisão preventiva pela Operação Compliance Zero, denunciou também abusos na Penitenciária Federal de Brasília. Ele disse ter sido colocado em cela com luzes acesas 24 horas por dia e que foi impedido de contatar defensores nos primeiros dias de detenção. Agentes teriam questionado em qual pavilhão ele preferia ficar, mencionando organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho.
De acordo com o depoimento, a mãe e a irmã do empresário receberam mensagens anônimas com ameaças de morte direcionadas a ele. Vorcaro afirmou que as pressões visavam impedir a revelação de fatos envolvendo figuras do ambiente político e institucional.
O ex-banqueiro citou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, com quem disse ter tido contatos cordiais em eventos sociais. Ele alegou que a Procuradoria-Geral da República demonstrou disposição para ouvir seus relatos, mas que setores da PF impuseram barreiras devido a pressões hierárquicas para evitar que certos assuntos fossem expostos.
A defesa formalizou o pedido para que o cliente seja ouvido em ambiente seguro. O juiz instrutor determinou o envio da ata e das gravações ao gabinete do ministro André Mendonça para a decisão sobre as medidas cabíveis.


