O advogado José Mauro de Farias Jr., ex-secretário de Transformação Digital do Rio de Janeiro, adquiriu R$ 8,8 milhões em imóveis entre fevereiro e outubro de 2025, oito meses após deixar o governo. Farias é o proprietário da cobertura na Barra da Tijuca onde reside o ex-governador Cláudio Castro (PL).
O imóvel na Barra da Tijuca foi comprado por Farias em outubro de 2023, por R$ 3,4 milhões, enquanto ele ainda ocupava o cargo público. A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) suspeitam que a propriedade seja usada para ocultar vantagens indevidas, afirmando que Castro exercia a posse de fato do local, apesar de o contrato de locação ter sido assinado apenas em abril de 2026.
As novas aquisições de Farias incluem quatro terrenos em Petrópolis por R$ 942 mil cada, uma casa de R$ 2,5 milhões na mesma cidade, um apartamento de R$ 1,8 milhão em Volta Redonda, um imóvel de R$ 415 mil no Recreio dos Bandeirantes e uma sala comercial de R$ 250 mil na Barra da Tijuca. As compras foram feitas via J15 Real Estate, empresa que também possui três carros apreendidos pela PF.
Farias foi alvo da Operação Sem Refino, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga se o empresário Ricardo Magro, foragido, teria feito pagamentos ilícitos a Castro por meio de terceiros. A apuração verifica se houve contrapartidas em decisões governamentais que beneficiaram a Refit, empresa de Magro que teve a falência decretada nesta semana.
A defesa de Farias afirmou ao STF que a cobertura na Barra foi um investimento imobiliário e que o aluguel de R$ 10 mil mensais para Castro decorre de amizade pessoal. O advogado declarou que constituiu seu patrimônio nos últimos 30 anos e que os bens foram informados à Receita Federal. A defesa de Cláudio Castro negou participação em esquemas de lavagem de dinheiro ou recebimento de vantagens.
Entre 2020 e 2023, a Eagle Sports Empreendimentos, empresa da qual Farias é sócio, recebeu R$ 18,4 milhões para reformar campos de futebol. Os serviços foram pagos por empresas que patrocinaram eventos esportivos para obter benefícios fiscais do estado. Em um dos casos, a gestão estadual teria recusado um orçamento mais barato para autorizar a execução do serviço pela empresa de Farias.


