O Exército dos Estados Unidos afundou, nesta sexta-feira (4), a terceira embarcação suspeita de vínculos com o narcotráfico na costa do Equador em sete dias. A operação, conduzida pelo Comando Sul, ocorreu em alto-mar e provocou manifestações de medo entre pescadores e organizações de direitos humanos na região de Manta.
O Comando Sul informou que o ataque militar desta quinta-feira (3) visou uma embarcação que funcionaria como estação de abastecimento da organização criminosa Los Choneros. Um vídeo publicado pelo comando mostra a interceptação por helicóptero e barco, seguida da explosão e do afundamento do veículo. Os tripulantes foram transferidos para autoridades equatorianas antes da detonação.
Desde a sexta-feira anterior, outras duas embarcações supostamente ligadas aos Los Choneros, que teriam conexões com o cartel mexicano de Sinaloa, foram afundadas. A Marinha equatoriana confirmou a transferência de 28 tripulantes para a cidade de Manta, no sudoeste do país, enquanto outros nove retornavam a bordo de outra embarcação.
No porto de Manta, pescadores e familiares afirmam que não possuem vínculos com o crime organizado. Um pescador relatou que não sai para trabalhar no mar há dois meses por temor a novas operações. A Human Rights Watch denunciou que, entre janeiro e março, três barcos equatorianos foram atacados por forças americanas, resultando no desaparecimento de oito pessoas.
Washington nega envolvimento nos desaparecimentos citados pela organização. Uma mãe de um jovem de 25 anos desaparecido cobrou a entrega do filho. Nos ataques realizados nesta semana, as autoridades informaram que não houve registro de mortes.
O governo do presidente Daniel Noboa mantém guerra contra o crime organizado com apoio de Donald Trump. Noboa incorporou o país ao Escudo das Américas, coalizão de 20 nações da América Latina e Caribe. No ano passado, o Equador registrou recorde de homicídios na América do Sul, com 51 mortes por 100 mil habitantes.


