Expedições científicas realizadas em 2021 e 2022 no Oceano Índico, nas proximidades da Ilha Christmas e das Ilhas Cocos, territórios da Austrália, identificaram 149 espécies marinhas até então desconhecidas pela ciência. O trabalho explorou 22 montanhas submarinas em profundidades entre 94 e 5.431 metros.
Ao todo, a equipe de 33 pesquisadores identificou 1.059 espécies entre os 19.474 animais recolhidos em 67 coletas. Desse total, 495 eram espécies já conhecidas, enquanto 415 exemplares não puderam ser identificados com segurança por falta de informações ou condições precárias do material. O grupo utilizou o navio RV Investigator, partindo de Darwin, no norte da Austrália.
A apuração focou em montanhas submarinas formadas por antigos vulcões, algumas com 70 quilômetros de largura. Uma dessas formações, situada a 3.103 metros de profundidade, apresenta uma cratera em formato de tigela e foi nomeada pelos cientistas como “Olho de Sauron”.
Entre as novas descobertas estão peixes, crustáceos, corais, estrelas-do-mar, pepinos-do-mar, vermes, moluscos e águas-vivas. Um peixe do gênero Chlorophthalmus teve a nova espécie confirmada por meio de análise de DNA.
Em uma coleta a 5.422 metros de profundidade, a equipe retirou mais de 1.000 dentes de tubarão, incluindo espécimes de tubarão-branco, mako, tigre e fósseis de megalodonte. O local foi batizado de “Cemitério dos Tubarões” e contém registros de evolução de 33 milhões a 22 milhões de anos.
Timothy O’Hara, do Museums Victoria e autor principal da pesquisa, afirmou que o fundo do oceano ainda guarda muitas informações desconhecidas. Como parte do material coletado ainda passa por análise, o número de novas espécies pode ser alterado.


