Fundada em 1936 no Rio de Janeiro, a Fábrica de Aviões do Galeão, originalmente chamada de Oficinas Gerais de Aviação Naval (OGAvN), produziu 471 aeronaves até 1965. A unidade é considerada a base técnica para a criação da Embraer, ao transferir tecnologia estrangeira e qualificar a mão de obra especializada no país.
A criação da planta industrial ocorreu após a Marinha do Brasil constatar a incapacidade técnica de manter aviões importados. Entre 1927 e 1935, a Aviação Naval adquiriu 143 aeronaves, mas em janeiro de 1935, 60 delas estavam inoperantes. Após tentativa frustrada de acordo com os Estados Unidos, o governo brasileiro firmou parceria com a fabricante alemã Focke-Wulf Flugzeugbau.
Segundo o capitão-tenente Vagner Rigola, da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM), a Alemanha estava disposta a compartilhar tecnologia e enviar engenheiros, o que permitiu a qualificação de trabalhadores brasileiros. Em 1938, a linha de montagem entregou os primeiros FW 44 Stieglitz, aviões de treinamento militar, além do bombardeiro bimotor FW 58 Weihe.
A cooperação com a Alemanha foi interrompida em 1942, quando o Brasil entrou na Segunda Guerra Mundial ao lado dos Aliados. A atividade industrial foi mantida por meio de um novo acordo com os Estados Unidos, resultando na produção do Fairchild M-62 (PT-19). Posteriormente, a empresa holandesa Fokker tornou-se parceira, viabilizando a fabricação do avião de treinamento S.11 (T-21) a partir de 1947.
A historiadora Thatiane Piazza de Melo, do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (Incaer), explica que a fábrica representou uma quebra de paradigma, movendo o Brasil de iniciativas pontuais para uma política de Estado voltada à soberania tecnológica. Muitos profissionais do Galeão integraram depois o Centro Técnico de Aeronáutica (CTA) e a fundação da Embraer em 1969.
Entre os técnicos alemães que chegaram ao Rio em 1936 estava Wilhelm Heinrich Friedrich Stein. Naturalizado brasileiro em 1951, Stein participou do grupo fundador da Embraer. Exemplares de aeronaves produzidas no Galeão, como o Cornell e o S.11, estão expostos no Museu Aeroespacial (Musal), no Campo dos Afonsos.


