Mais de 15 famílias que relatam casos de violência e agressões sexuais contra filhos em escolas de Paris apresentaram, nesta sexta-feira (4), uma denúncia contra o prefeito Emmanuel Grégoire e a ex-prefeita Anne Hidalgo. A ação, entregue à Promotoria de Paris, visa investigar o conhecimento dos gestores sobre os fatos e as medidas adotadas.
Os advogados das famílias, reunidas na associação MeTooEcole, informaram que a denúncia cita outras pessoas além de Hidalgo, que administrou a cidade entre 2014 e 2026, e Grégoire. O objetivo é apurar se as autoridades municipais tomaram providências para enfrentar as agressões cometidas por monitores responsáveis por atividades extracurriculares.
A peça jurídica menciona possíveis crimes como a omissão de socorro a pessoa em perigo, a falha em denunciar crimes contra crianças e o ato de colocar deliberadamente a vida de terceiros em risco. Em parte dos relatos, as vítimas tinham entre dois e quatro anos.
A Prefeitura de Paris suspendeu 132 monitores desde o início de 2026. Desse total, 52 foram afastados sob suspeita de violência sexual ou sexista. Segundo a Promotoria, há mais de 200 investigações criminais em andamento em creches e escolas primárias da capital francesa.
A situação reflete um cenário nacional. Dados da Comissão Independente sobre Incesto e Agressões Sexuais contra Crianças (Ciivise) indicam que uma criança é vítima de violência sexual a cada três minutos na França.


