A predisposição genética e mecanismos evolutivos de economia de energia influenciam a dificuldade de manter hábitos de atividade física, segundo Miguel Ángel Rodríguez, pesquisador da Universidade de Oviedo. O especialista aponta que a biologia humana prioriza a preservação de energia, o que torna o exercício planejado um desafio ao instinto primitivo.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que um em cada três adultos e oito em cada dez adolescentes não atingem os níveis mínimos de atividade física recomendados. A apuração revela que 90% das pessoas preferem elevadores a escadas e apenas metade dos que iniciam um plano de exercícios consegue mantê-lo.
Estudos com gêmeos demonstram que cerca de 60% da capacidade de autocontrole é determinada geneticamente. Processos inconscientes e variações no sistema dopaminérgico, que regula o prazer e a tolerância ao esforço, moldam a percepção de desconforto durante a atividade física. Até a atividade realizada pela mãe durante a gravidez pode predizer os níveis de movimento do indivíduo na idade adulta.
O biólogo evolucionista Daniel Lieberman afirma que o ser humano evoluiu para ser ativo por necessidade de sobrevivência, como caçar e coletar, mas não para o conceito moderno de exercício estruturado. O cérebro tende a favorecer comportamentos de menor custo energético, a menos que haja uma recompensa imediata e valiosa.
Fatores sociais e ambientais também impactam a motivação. O estudo PASOS, com mais de quatro mil menores de idade, indica que jovens em bairros de baixo status socioeconômico e com pouca acessibilidade para pedestres praticam menos esportes e brincadeiras ao ar livre.
Como alternativa para superar a barreira biológica, a cidade de Cluj-Napoca, na Romênia, implementou um sistema onde passagens de ônibus são trocadas por 20 agachamentos. A iniciativa já resultou na emissão de mais de 200 mil passagens, transformando o esforço físico em uma recompensa imediata.


