A campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) decidiu moderar o uso de inteligência artificial para recriar a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro, mesmo após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter rejeitado, nesta terça-feira (2), a aplicação de multa por um vídeo que simulava a fala do ex-mandatário.
A equipe do candidato avalia que a decisão do tribunal se restringe ao caso julgado e não elimina o risco de novas peças serem questionadas na Justiça Eleitoral. Para manter a associação com o pai, a estratégia agora foca em imagens, vídeos e declarações antigas, material que já integra o horário eleitoral e montagens em eventos.
Um exemplo da nova linha foi a publicação de um trecho de entrevista de fevereiro de 2025 no Instagram de Flávio. No registro, feito mais de um ano antes da campanha, Bolsonaro aparece chorando e afirma que a verdade chegará na hora certa, independentemente do que aconteça com ele.
O caso que chegou ao TSE envolveu um vídeo exibido na convenção nacional do PL, produzido por IA, no qual Bolsonaro simulava estar preso por decisão arbitrária e pedia que apoiadores recebessem Flávio de braços abertos. A Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV, havia acionado a Justiça pedindo a punição do candidato.
Por quatro votos a três, a maioria dos ministros entendeu que o conteúdo foi exibido em contexto de pré-campanha, em evento partidário, sem pedido explícito de voto. O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva divergiu, acompanhado por Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha, argumentando que a divulgação tinha caráter eleitoral e deveria seguir as regras contra deepfakes.
Apesar de afastar a multa, o TSE fixou parâmetros para o uso de conteúdos sintéticos. A Corte definiu que a proibição depende de o material ser caracterizado como propaganda eleitoral e possuir realismo ou verossimilhança na reprodução de imagem, voz ou manifestação de terceiros.
O jurídico da campanha concluiu que o resultado do julgamento não oferece segurança para repetir a estratégia de recriações digitais durante o período oficial de propaganda. Em eventos, como ocorreu na convenção do PL em Santa Catarina no dia 1º de agosto, a equipe deve utilizar colagens de registros reais para narrar a trajetória política do ex-presidente.


