O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (9) a reintegração de Andrei Rodrigues à direção-geral da Polícia Federal (PF). A decisão anula o afastamento cautelar do chefe da corporação, determinado anteriormente pelo ministro André Mendonça, sob a alegação de interferência indevida na esfera de competências do tribunal.
Dino fundamentou a decisão citando um encontro entre André Mendonça e o empresário Daniel Vorcaro, investigados em autos de competência do próprio ministro. Segundo o texto, a reunião teria ocorrido em uma empresa privada com a intermediação de agentes que também figuram em investigações no Poder Judiciário. O episódio foi classificado como um agravante na conduta de Mendonça.
O gabinete de André Mendonça informou que o ministro recebeu Vorcaro apenas uma vez, em 14 de março de 2025, por iniciativa do empresário. A nota diz que a conversa tratou de uma ação sobre créditos de precatórios do Banco Master e que a atuação de Mendonça no processo foi contrária aos interesses de Vorcaro. O gabinete afirmou que mantém os registros dos memoriais escritos entregues no encontro.
A crise envolve pedidos cruzados de investigação entre ministros. Mendonça solicitou a apuração de Alexandre de Moraes por possível envolvimento com Vorcaro. Em resposta, Moraes pediu a investigação de Mendonça por abuso de autoridade, citando um relatório de inteligência da PF que indicaria o direcionamento de investigações contra adversários.
O presidente do STF, Luiz Edson Fachin, interveio para unificar os pedidos em uma petição única sob a condução da presidência. Fachin revogou as decisões que envolviam o afastamento de Andrei Rodrigues, mantendo o diretor-geral no cargo. O presidente do tribunal também retirou Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news.
O plenário do Supremo Tribunal Federal julgará, em sessão aberta no dia 15 de setembro, se abre a investigação contra Alexandre de Moraes.


