O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, proibiu a produtora Go Up Entertainment de licitar e contratar com o Poder Público em qualquer esfera federativa. A empresa, de propriedade da jornalista Karina Gama, produz o filme “Dark Horse”, obra sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A medida ocorre após operação da Polícia Federal (PF), autorizada por Dino, para investigar o financiamento da produção e a suspeita de desvio de emendas parlamentares. A Go Up, a Go7 Assessoria e o Instituto Conhecer Brasil (ICB) foram alvos de busca e apreensão. O ministro também proibiu a Go7 de contratar com o governo e suspendeu as atividades econômicas do ICB.
A jornalista Karina Gama, que nunca lançou filmes no Brasil ou no exterior, entrou no projeto por intermédio do deputado federal Mario Frias (PL-SP), roteirista da obra. Segundo relatório da PF, a jornalista teria papel central na gestão das entidades que executam projetos financiados por emendas, servindo de elo entre beneficiários e fornecedores.
A produção do filme gerou crise na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Mensagens publicadas pelo site Intercept Brasil indicam que o senador teria cobrado dinheiro do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiar a obra.
Uma perícia privada contratada pela Go Up Entertainment revelou que o custo total de “Dark Horse” foi de US$ 13,39 milhões (cerca de R$ 75,18 milhões). O levantamento aponta que 72% dos gastos ocorreram nos Estados Unidos, onde foram realizadas a pré-produção, a pós-produção, a produção e o desenvolvimento do projeto.
Apenas a fase de filmagens ocorreu no Brasil, representando 28% dos custos. Produtores do mercado audiovisual brasileiro afirmam que os gastos iniciais foram excessivos. A etapa de “soft production”, que consumiu US$ 2,69 milhões, representa 20% do orçamento total, enquanto a média do setor para essa fase varia entre 3% e 5%.


