O ministro Flávio Dino reintegrou Andrei Rodrigues à chefia da Polícia Federal nesta quarta-feira (9). A decisão surpreendeu o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, que passou a terça-feira (8) articulando uma solução para a crise entre Rodrigues e o ministro André Mendonça.
A apuração indica que integrantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva articularam com Dino na noite de terça-feira para revisar a decisão de Mendonça. O movimento ocorreu antes que Fachin apresentasse uma posição oficial sobre o caso.
O presidente do STF informou a interlocutores que pretendia resolver a questão com base em dois recursos ajuizados pela Advocacia-Geral da União (AGU), em suspensão de liminar. Fachin havia concedido um prazo de três dias para que Mendonça se manifestasse.
Pelo menos quatro dos 10 ministros da Corte questionaram Fachin, nesta quarta-feira, se ele irá barrar a medida de Dino. A avaliação é que a decisão atropelou o procedimento instaurado pelo presidente do tribunal.
Ministros ouvidos indicam que, se Fachin não reagir, Mendonça ficará fragilizado diante da pressão de Gilmar Mendes, Flávio Dino e Alexandre de Moraes para a retirada da relatoria do caso master. Fachin tenta, sem sucesso, encontrar uma solução consensual para ser votada no Plenário.
O grupo formado por Dino, Gilmar e Moraes defende que a Corte vote o pedido para investigar Moraes apenas após o período eleitoral, em outubro de 2026. Por outro lado, ministros como Nunes Marques, Luiz Fux e Dias Toffoli avaliam que o próprio presidente do Supremo ficará fragilizado caso não responda à decisão de Dino.


