O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou a reintegração de Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal nesta quarta-feira (9). A decisão ocorreu 24 horas após o afastamento do diretor-geral ter sido ordenado pelo ministro André Mendonça, em processo analisado pela Segunda Turma da Corte.
Dino, que atua como relator nas investigações sobre emendas parlamentares, foi acionado pela defesa de Rodrigues. O argumento aceito pelo magistrado foi de que as apurações sobre o uso de verbas legislativas corriam risco devido ao afastamento do chefe da Polícia Federal.
A análise do caso havia sido interrompida anteriormente por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. O decano da Corte questionou a decisão de Mendonça sob três aspectos: a pressa na pauta, o fato de o pedido ter partido de um partido político e a competência da análise, que deveria ter sido transferida ao Plenário por envolver o ministro Alexandre de Moraes.
Ao reintegrar Rodrigues, Dino criticou a postura de Mendonça, afirmando que o colega tem tomado decisões em causa própria. O ministro mencionou um encontro ocorrido em 2025 entre Mendonça e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Dino solicitou que o ministro mantenha recato sob a toga e evite a publicação de vídeos, cartas ou atitudes similares. Segundo o relator, tais manifestações podem ser compreendidas como posicionamentos político-partidários em período eleitoral, citando mensagens gravadas por Mendonça para agradecer apoio de fãs.
A movimentação indica alinhamento entre Flávio Dino e Gilmar Mendes sobre a condução do tema. O episódio reflete a tensão interna no Supremo Tribunal Federal, intensificada por conflitos recentes entre André Mendonça e Alexandre de Moraes.


