O número de operações de fusões e aquisições anunciadas no Brasil caiu 35% no primeiro semestre de 2026, segundo pesquisa trimestral da KPMG. O recuo é atribuído aos juros elevados, incertezas no comércio internacional e à proximidade das eleições, fatores que tornaram investidores e compradores mais rigorosos na seleção de ativos.
A apuração da consultoria contabilizou 610 transações no período. Dos negócios com valores divulgados, 100 operações ficaram na faixa entre R$ 51 milhões e R$ 500 milhões, o que representa cerca de 37% do grupo. Esse volume indica a manutenção de atividade no chamado middle market, impulsionada por processos de sucessão, profissionalização de gestão e busca por capital para expansão.
Pedro Seidenthal, sócio da JK Capital, afirmou que o mercado de M&A é cíclico e reage a condições de crédito e confiança. Segundo Seidenthal, existe um movimento estrutural de empresários que buscam liquidez ou diversificação patrimonial, mas que agora exigem análises mais profundas e maior planejamento devido ao rigor dos compradores.
Em contrapartida, o volume de atos de concentração submetidos ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) apresentou alta. O Radar do Cade, levantamento da JK Capital baseado em registros públicos, registrou 486 protocolos entre janeiro e julho de 2026, alta de 7% em relação aos 454 do mesmo período de 2025.
A JK Capital informou que assessorou oito transações concluídas em 2026, incluindo a venda de participação no grupo educacional O Novo Mercado para o Grupo Pallur. Outros sete negócios do ano envolveram instituições de ensino superior e escolas de educação básica, evidenciando a consolidação do setor educacional mesmo em um ambiente de maior cautela financeira.


