O ministro Gilmar Mendes deve defender, nesta quinta-feira (3), ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a retirada de delegados da Polícia Federal (PF) que trabalham nos gabinetes de integrantes da Corte. A medida ocorre em meio a uma crise interna provocada por investigações sobre o Banco Master.
A proposta de Gilmar surge após a Polícia Federal identificar o ministro Alexandre de Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro em mensagens apreendidas. O decano do tribunal avalia que a presença de policiais nos gabinetes pode criar uma relação inadequada entre quem investiga e os ministros responsáveis por conduzir os inquéritos.
Atualmente, cinco delegados da PF estão cedidos ao Supremo. Quatro atuam diretamente em gabinetes e um trabalha na área de segurança. O ministro André Mendonça conta com dois policiais, Graziela Machado e Thiago Marcantonio. Fábio Shor trabalha com Alexandre de Moraes, enquanto Fábio Lucena atua no gabinete de Luiz Fux. Raphael de Mello Batista está na Polícia Judicial.
A medida impactaria não apenas Mendonça, que enfrenta embates com a cúpula da PF, mas também os gabinetes de Moraes e Fux. A tensão entre Mendonça e a corporação aumentou depois que o ministro determinou a identificação de interlocutores de Vorcaro mencionados em material apreendido.
Em junho, o Ministério da Justiça solicitou a devolução de policiais cedidos em mais de 50 órgãos públicos para reforçar o combate ao crime organizado, mas o STF ficou fora da lista para evitar prejuízos a investigações. Thiago Marcantonio, assessor de Mendonça desde 2025, auxilia em processos sobre fraudes no Banco Master e desvios no INSS.


