Governadores que assumiram o cargo no início de 2026, após renúncias de titulares, apresentam maior dificuldade de reeleição do que aqueles com mandatos completos. Segundo a primeira rodada de pesquisas da Quaest, metade dos candidatos nessa situação aparece atrás dos concorrentes nas intenções de voto.
Dos 18 postulantes à reeleição em 2026, nove estão no cargo desde 2022 e nove eram vices que herdaram o governo em abril deste ano. No grupo dos mandatos curtos, os governadores lideram a disputa em quatro estados: Goiás, Espírito Santo, Paraíba e Distrito Federal. Nos outros cinco, aparecem numericamente atrás.
Em Minas Gerais, o governador Mateus Simões (PSD) ocupa o quarto lugar. Embora a gestão seja aprovada, Simões perdeu o apoio de partidos como PL e Republicanos, correndo risco de ficar fora do segundo turno. Outros governadores que assumiram este ano e aparecem atrás nas pesquisas são os de Amazonas, Acre, Pará e Mato Grosso.
A série histórica indica que a taxa média de reeleição de governadores com mandato completo é de 74%, com pico de 94% em 2022. Já para aqueles com mandatos curtos, a média desde 2010 é de 51%. Em 2018, o aproveitamento de quem assumiu às vésperas da eleição foi de 33%, com apenas dois reeleitos entre seis candidatos.
O cientista político Josué Medeiros, professor da UFRJ, explica que a troca de governante perto da eleição dificulta a transferência da aprovação da gestão para a nova figura. Segundo Medeiros, nomes como Ricardo Ferraço (MDB), no Espírito Santo, e Daniel Vilela (MDB), em Goiás, performam melhor por serem políticos conhecidos e possuírem alianças estabilizadas.
No Acre, a governadora Mailza Assis (PP) enfrenta menor conhecimento e cobranças por investigações contra o antecessor, Gladson Cameli (PP), que está inelegível. No Pará, a governadora Hana Ghassan (MDB) disputa a liderança com Dr Daniel (Podemos). Já entre os que completaram o mandato, cinco lideram as pesquisas: São Paulo, Sergipe, Santa Catarina, Pernambuco e Mato Grosso do Sul.
O professor da FGV/EAESP, Marco Antônio Teixeira, afirma que a política é personalista e que governadores conhecidos se saem melhor. Teixeira argumenta que muitos vices são escolhidos para composição partidária, mas não possuem prestígio eleitoral próprio.


