O governo federal implementou ou anunciou 46 medidas tributárias entre 2023 e julho de 2026 para elevar a receita e financiar despesas da União. Apesar de a arrecadação ter atingido o recorde histórico de quase R$ 3 trilhões em 2025, o país fechou aquele ano com um déficit primário próximo de R$ 62 bilhões.
O levantamento do Instituto Livre Mercado detalha a estratégia do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, baseada no aumento de alíquotas, retomada de cobranças e redução de benefícios fiscais. Foram 16 iniciativas em 2023, nove em 2024 e 18 em 2025, abrangendo setores como importações, apostas esportivas e operações financeiras.
No primeiro ano do ciclo, o governo retomou tributos sobre combustíveis e alterou a tributação de fundos exclusivos e offshores. Em 2024, as medidas incluíram a taxação de compras internacionais de pequeno valor, a elevação da tarifa de importação de painéis solares e a incidência integral de PIS e Cofins sobre diesel e biodiesel.
A ofensiva tributária se intensificou em 2025 com o aumento do IOF em operações de crédito. O governo também alterou a tributação de aplicações com rendimentos isentos de Imposto de Renda, como letras de crédito e certificados de recebíveis do agronegócio e do setor imobiliário.
A Receita Federal recolheu quase R$ 2,5 trilhões em 2023. Em 2025, o valor chegou a quase R$ 3 trilhões, representando um crescimento real de 3,65% em relação ao ano anterior. O resultado é o maior da série histórica.
O déficit primário de 2025, equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto, ocorreu enquanto o custeio administrativo da União atingia quase R$ 73 bilhões, o maior montante em nove anos. Gastos com viagens nacionais e internacionais do governo somaram mais de R$ 7 bilhões desde 2023.
A apuração compara a política atual com a gestão de Paulo Guedes entre 2019 e 2022, que priorizou desonerações. Naquele período, a arrecadação federal subiu de R$ 1,5 trilhão em 2019 para mais de R$ 2,2 trilhões em 2022, apesar da queda econômica causada pela pandemia.


