O governo federal integrou ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) a construção de um gasoduto da Transportadora Associada de Gás (TAG) no Nordeste. A obra, aprovada em 14 de julho pelo Comitê Gestor do PAC, servirá para abastecer usinas termelétricas contratadas no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) realizado em março.
O empreendimento é integralmente privado e não utilizará recursos públicos. A concessionária investirá R$ 1,6 bilhão para ampliar a capacidade do sistema entre Alagoas e Ceará, instalando um novo gasoduto e estações de compressão. A previsão de entrega é outubro de 2028.
O Ministério de Minas e Energia informou que a expansão da malha é indispensável para suprir as novas usinas. A medida ocorre apesar de o Novo PAC priorizar a transição energética e projetos de energia limpa. O sistema deverá transportar cerca de 7 milhões de metros cúbicos de gás por dia.
As usinas foram selecionadas no LRCap de gás natural, carvão mineral e ampliações hidrelétricas. O certame contratou 18,98 GW de potência, divididos entre 60 termelétricas novas, 35 existentes e cinco ampliações de hidrelétricas, movimentando R$ 515,7 bilhões. Eneva, Petrobras e Âmbar Energia foram as principais vencedoras, detendo quase metade da potência negociada.
A contratação foi questionada pelo Ministério Público Federal (MPF) devido ao alto valor e chegou a ser suspensa pela Justiça Federal do Ceará. A liminar foi derrubada e as primeiras usinas entraram em operação em agosto. O governo defendeu as térmicas como garantia de segurança para atender períodos de baixa geração eólica e solar.
Em nota, a TAG declarou que conduz estudos para adequar a rede de transporte ao abastecimento do Nordeste seguindo as diretrizes do leilão. A companhia afirmou que a definição de políticas públicas e o planejamento estratégico do setor energético são de responsabilidade exclusiva do governo federal.


