A imprensa internacional repercutiu a divulgação de trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O conteúdo sugere que Moraes teria discutido a primeira fase da Operação Compliance Zero e estratégias para frustrar o cumprimento de uma ordem de prisão preventiva contra Vorcaro.
As mensagens, reveladas após o ministro André Mendonça liberar o sigilo, mostram que em 15 de novembro de 2025 Vorcaro questionou se deveria estar fora do país na segunda-feira seguinte. A investigação indica que o banqueiro também teria pedido a Moraes que interferisse em seu favor junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.
O caso envolve ainda o candidato presidencial Flávio Bolsonaro. Segundo apurações, o banqueiro preso teria repassado US$ 10 milhões ao político, valor supostamente destinado ao financiamento de uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Veículos de comunicação da Espanha e Argentina descreveram o impacto das revelações como um “terremoto político” e uma “bomba atômica”. A apuração indica que as suspeitas sobre a relação entre os dois já haviam surgido anteriormente, após a contratação do escritório da esposa de Moraes pelo banqueiro.
A imprensa estrangeira aponta que o episódio ocorre em meio a uma disputa interna por poder no STF e a menos de cinco semanas das eleições presidenciais de 4 de outubro. O pleito é disputado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.
Opositores do magistrado, que já teve embates públicos com Elon Musk, utilizaram os novos vazamentos para renovar pedidos de afastamento de Moraes do tribunal. O ministro, relator do julgamento sobre a tentativa de golpe de 2023, mantém perfil discreto e não se manifestou sobre as revelações.


